Tenho saudades de um tempo que eu não vivi
Saudades de coisas que nunca tive
Tenho saudades de palavras que nunca disse, nem ouvi
Saudades de emoções que nunca senti
Vivo em um mundo a qual não pertenço
E no qual não quero me adaptar
Um mundo feio, sujo, desumano, sem pudores
Cheio e desamor, desafeto, desengano.
Sinto nostalgia por lugares que nunca estive
Vejo tanta pobreza, tanta soberba, tanta malicia.
E a única coisa que consigo sentir é piedade, dó.
Como poderia julgar diferente sentimento?
O mundo é perverso, cruel por natureza,
Mas só é assim, pois assim foi ensinado,
Não há culpa onde não há opção
Não haverá ser nessa terra, nem há, nem houve,
Que tirasse tal angustia do meu peito
Eu já estou exausto de pensar
Cansado de escrever, de achar, de ter opinião,
Abomino o meu “pensar”
Gostaria de viver, “viver” simplesmente
Entregar-me ao ‘porvir’
Gostaria de ter um ideal, e nele ter tamanha crença
Ao ponto de ser cego perante outras crenças
Mas o que posso fazer, se nada me apaixona
A não ser algo simples que já não existe: o amor
Sinto uma vontade infinita de amar alguém
De tal forma, com tanta intensidade,
Que qualquer outra história de amor
Se torne apenas mais uma história
Como posso desejar algo que não existe?
Como poso ser viciado em algo que nunca provei?
E mesmo que existisse como eu o reconheceria?
Se jamais o vi, nem jamais o senti.
É uma batalha perdida de fato,
Mas a parte mais cruel dessa história
É uma semente chamada esperança
Mesmo sabendo que está tudo perdido
E sabendo que é uma luta que eu não posso vencer
Já tentei ata-la, queima-la, corta-la e todo o resto
Mas ela simplesmente não morre
Essa semente maldita não me deixa irar a própria vida
Pois é como se quisesse que nem isso a mim pertencesse
É como se já tivesse morrido
Meus sorrisos estão cada dia mais ralos, mais raros, mais amarelos.
Já me entreguei a vida
Mas ela não me quis
Já procurei a morte
E também essa me rejeitou
No desespero de não ser pego pela solidão
Encontrei uma companheira que colhe a todos, A dor
Mas ela é adultera, me trai com o sofrimento
Ah!!! Como desejei ter uma vida comum
Uma vida com paz e pais
Com filhos e netos
Nada muito utópico
Sinto que estou perto do fim
Que as ultimas palavras estão sendo ditas
Não há mais tanto a se dizer
Mas aquela maldita sementezinha ainda me interfere
Acho que cheguei ao ápice do meu pensamento
Não consigo pensar em nada novo, nem peculiar
Quase nem consigo mais pensar, não vejo mais nada à frente
Mas esse desejo de ter as rédeas da vida foi realmente meu maior pecado
Estou cansado, e sério, estou muito cansado
Não quero mais falar, agir, respirar, pensar, não quero mais
Por favor que apareça um anjo e me leve
Pois os anjos só possuem asas
Porque já foram homens
Pois os anjos só possuem asas
Porque já foram homens
Que se cansaram de caminhar.

