terça-feira, 26 de outubro de 2010

Monólogo de uma maquina...



Aqui estão os olhos mecânicos
Que outrora choravam
Agora são apenas fibras óticas
De reconhecimento termal
Calculam o tempo, a velocidade, o espaço
E as cores, sem nenhum lado animal.
Aqui estão os mesmos braços
Que antes fortes, torturavam-se no arado,
Agora mediante ao vapor são impulsionados
E a bateria ainda sente por breves instantes
O passado do coração agora ausente
E no encargo da fabricação contínua
Não mais fraquejam as pernas antes tremulas
O aço frio é firme rente ao chão
Sim, por volta e meia sinto espasmos,
Mas, não mais de inquietude,
E sim falta de óleo que lubrifica minhas juntas
 O alimento que era da água ao trigo
Não mais sacia minha vontade
Porém agora de tal forma me é importante
O novo alimento que a mim serve como água
O seu nome? Que muitos buscaram, liberdade.
Aqui onde está a cabeça que outrora impetuosa;
Agora transpira cilício e programação
Já foi muito boa com rimas e poesias
Tanto quanto hoje é boa em cálculos, sem numa autonomia,
Sim, aqui estão os calejados frutos do homem,
Que desejava desde o inicio padecer em harmonia
Com o seu criador, Agora deixou sua cria,
Que como ele nunca irá se tornar tal qual deseja ser
Posto que jamais nessas minhas veias correrá sangue
Como nas dos homens que a mim criaram
Assim como em seus cérebros humanos jamais
Tornou-se claro o pensamento do seu criador
Sim, aqui está o peito que não arfa,
Que jamais para, jamais cansa,
E o corpo que jamais sente o prazer da dança
Fruto imperfeito de sua arvore matriz, a criação,
Meu corpo indiferente ao tempo, jamais transparece a idade,
Que alias não é contado em anos, nem tão pouco possui infância velhice,
Não tem parabéns, nem ao menos comemorasse o aniversario nem mocidade,
Depende simplesmente de uma única contagem
Que assim por cálculos os criadores chamaram-na quilometragem
Aqui está a obra, agora sem mestre, sem artista, sem artesão,
Que já conhece muito pra saber que não deve dar opiniões sobre o que não conhece
Pois simplesmente nada conhece
Faço sim meu trabalho incansavelmente
Todavia, jamais me dei o trabalho de indagar-me quem me deu o trabalho,
Quem se deu o trabalho de dar-me a vida
Está mesma vida que por um motivo mecânico ou outro
Torna-se fim, pra  mim distante e passageira.
E da bela obra imponente gerada do aço e do nada, restos impotentes aglomeram-se em entulhos.
O que restará de mim a não serem em suma sucata e bateria usada?




                                                                                                         POR: Mailson Constantino Dos Santos

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